TONI GARRIDO Release
 
     
 

RELEASE TONI GARRIDO

TONI GARRIDO INAUGURA FASE NOVA NA VIDA

CARREIRA SOLO MOSTRARÁ VERSATILIDADE DO INTÉRPRETE

Faz 25 anos que Antonio Bento, como era conhecido na escola, virou Toni – com i, de um brasileiro orgulhoso de suas origens. O Garrido veio de sua segunda família, que ajudou em sua criação. Começava ali, nos anos 80, a trajetória do artista que, por 22 anos, dedicou-se ao trabalho em grupo e, agora, parte para a carreira solo. A largada para essa nova fase foi dada com a divulgação do primeiro single de seu primeiro álbum como Toni Garrido,  “Me libertei”, em que revisita um hit de uma de suas maiores influências, Toni Tornado. “Tudo começou com o Tornado. Minha mãe e minhas irmãs lembram que, aos 2, 3 anos de idade, eu fazia de microfone uma vassoura, vestia uma capa feita de um lençol e começava a cantarolar “BR-3”, diz.

Das duas décadas em que o coletivo deu o tom, Toni parte para a fase em que, como diz, todos os esforços convergem para “decodificar minha cabeça”: “Estou zerado com o passado, muito feliz com minha vida pregressa. Agora, é o primeiro período da minha vida em que eu faço uma música, pego um grupo e vou atrás dela, atrás dessa canção que eu mesmo fiz. Não preciso mais levá-la para o açoite, em que ela tinha que ser detonada para cair no gosto do outro e, a partir daí, agradar ao coletivo”.

Na Banda Bel ou no Cidade Negra, por exemplo, todas as canções, fossem de quem fossem, precisavam ser aprovadas pelo grupo inteiro, o que levava algumas a serem descontruídas mesmo que parecessem prontas. “Agora, tenho a possibilidade de ser o arranjador, produtor do meu próprio disco, de gravar meu próprio trabalho. Estou muito feliz de poder participar de todos os processos tão ativamente, como nunca antes”, acrescenta Toni.

Ele conta que começou a pensar no trabalho solo ao perceber que algumas grandes oportunidades surgiram mas, em nome de sua convicção na importância do coletivo, acabou abrindo mão: “Acredito que já dei a minha carga pessoal para o investimento em créditos coletivos. Num dado momento, pensei o quanto havia sido honesto em dar de tudo para os grupos de que fiz parte e resolvi mudar, enquanto ainda tenho saúde e motivação”.

Tudo é novo para Toni: o falar em primeira pessoa, o espaço mais amplo e, até, a própria administração de sua carreira. Fruto da união entre as habilidades complementares de três empresas – a CD Promo, a Pilastra e a TG Produções -, surge a Tora Produções, à qual cabe gerir a vida profissional de Toni Garrido em todos os aspectos.

A equipe da Tora trabalha com dois conceitos: “encurtar distâncias” e “fazer parte”. A intenção é aproximar ao máximo o ídolo de seu público, gerando interatividade entre eles. O blog de Toni Garrido - www.tonigarrido.com.br/nasinternas - foi a mídia escolhida para apresentar o single “Me libertei”, rapidamente espalhado cyberespaço afora pelos fãs de Toni.

Em fase final de mixagem, o álbum de estréia da carreira solo do artista mostrará um intérprete versátil, que passeia por vários gêneros musicais e surpreende em algumas parcerias. A cargo do mago Liminha, o trabalho segue para os “finalmentes”, no estúdio Nas Nuvens, e será lançado no fim de novembro. No dia 2 de dezembro, o carioca poderá conhecer de perto a nova cara musical de Toni, no show que ele fará, acompanhado da banda Flecha Bleck, no Canecão.


TONI EM PRIMEIRA PESSOA

INÍCIO E TRAJETÓRIA
“Além do Toni Tornado, me lembro de que gostava muito do Morris Albert, cantarolava “Can’t live without you”. Depois dele, meu registro seguinte é cantar no teatro. Participava de um grupo que decidiu encenar “Jesus Cristo Superstar”, no pilotis da igreja na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

“Quando participava de encontros de jovens, na Igreja, descobri que ali era um lugar onde podia tocar meu violão e ser admirado. Tinha umas meninas legais, que diziam “Ele é feio, mas toca um violão legal”.

“A missa da qual a gente participava começou a ficar concorrida e, ali, eu comecei a ver que existia um ambiente coletivo em que as pessoas me aceitavam como músico. Aquilo me deu muita confiança. Eu estava cantando para Deus e para mim, com a maior emoção e vontade. Ali, eu descobri voz, que podia emular, sair e abrir. A partir dali, eu vi que queria trabalhar com música.”

“Comecei a trabalhar com Rogério Gurjão, Elias Sangona... As pessoas me conheciam e me indicavam para outros trabalhos. No “Jesus Cristo Superstar”, que era uma ópera-rock, tinha uma banda e o Leleo, que tocava nela, me levou para a Banda Bel. Até hoje a gente compõe juntos.”

“Fiquei 6 anos com o Leleo, Ricardo e Cacau na Bel. Aí começa a história das bandas. Fiquei seis anos, depois, saí e fui para o Cidade Negra. Assim a gente formata 20 anos da minha vida.”

“Quando se fala em trajetória, faz-se um percurso que passa por todas as fases. E, talvez, a mais forte e importante da minha trajetória musical tenha sido o período em que fiquei no Cidade Negra. E eu me orgulho dessa memória. As coisas acabam porque acabam.”

ANTONIO BENTO
“Quando era criança, era Toninho, em casa, e Antonio Bento, na escola. Não curtia meu nome, a molecada zoava muito. Depois, veio a música do Tim (“Coronel Antonio Bento”) e comecei a gostar. Na hora da virada para a carreira solo,  cheguei a pensar em mudar de Toni Garrido para Antonio Bento. É raro um cara com uma trajetória marcada mudar de nome. Mas acho que ainda vai chegar a hora do Antonio Bento”.

“Uma noite, estava saindo da The Week (casa noturna no Rio) e uma menina abriu um sorrisão e disse “Quero te mostrar uma coisa”, mostrando o braço. Ela havia tatuado um Antonio Bento e contou que esse tinha sido o nome escolhido para batizar seu filho. “Queria o nome de um homem que eu respeitasse pra colocar no meu filho e acho que você é ele”. Foi uma baita homenagem.”

FAMÍLIA E MÚSICA
“A musicalidade na minha casa vem da minha avó, que era uma super escrava, filha de escravos, nascida no interior de Minas Gerais, em Cassiterita, ao lado de São João Del Rey. Pouco antes de morrer, minha avó contou que meu bisavô era um negro violeiro de primeira, muito encantador”.

“Minha avó contava e cantava. Ela cantava todas aquelas modinhas e cânticos de senzala com três, quatro vozes. E ela ensinou pra minha mãe. E elas, que nunca tiveram aula de canto, cantavam com a voz lá em cima, cobrindo perfeitamente. Eram músicas de negros. Tudo começa, no fundo, com essas histórias.”

“Minhas três irmãs sempre foram porta-bandeiras de escolas de samba. Em casa, vivi a realidade do samba e do candomblé, a religião das três. Eu tive a formação da umbanda e do candomblé e do catolicismo e acredito em tudo que se mova, tudo que está aparente e não aparente. Fui até coroinha, comecei cantando na igreja.”

MAIS DEZ ANOS
“Conto com meu corpo como ferramenta de trabalho para focar mais dez anos sendo o que sempre fui. Tudo o que eu perdi do individual em prol do coletivo, acho que ainda tenho um físico que segura mais um tempo de expectativa e tentativa.”

“Eu espero não me desmentir daqui a alguns anos, mas acho que vocês estão vendo os meus últimos dez anos no mesmo pique de trabalho. Sem parar. Acho que isso deve dar mais uns três ou quatro álbuns. Quem me conhece sabe que eu não limito trabalho, enquanto eu tiver gás, vontade e energia, vai montando, vai botando trabalho, que eu quero fazer, eu vou fazer.”

“Depois desses dez anos, eu vou tentar ter o modelo de vida que eu já vi alguns fazendo. Como o Paul McCartney, que consegue o ideal: ganha tanto dinheiro, que só canta porque quer gastar uma energia trabalhando”. Outra pessoa que faz as coisas muito bem, por aqui, é a Marisa Monte. Ela consegue fazer as coisas no tempo dela.”

“O Djavan é um outro exemplo. Faz um disco, trabalha por um ou dois anos e fica três de férias. De repente, faz um álbum novo, trabalha mais um ou dois anos e entra de férias. Nessas férias, ele tem filhos, vai para o sítio, abre a loja de chocolates da gata dele, faz um montão de coisas legais. Eu acredito muito nisso.”

“Daqui a um tempo, quero aproveitar o que não pude, já que sempre estive na pressão. Tá na hora de conhecer Xangai. É um tempo que espero pra mim, também”.

“Mas eu acredito que, para fazer isso, preciso alcançar algumas metas, não só artísticas, mas, também, financeiras. Já não preciso pensar em casa pra minhas filhas, mas preciso garantir alguma coisa legal pro futuro delas. Tudo isso também passa pela cabeça de um cara que faz música.”

MÚSICA
“Dentro do meu raciocínio, tem uma babel de sentimentos. Às vezes, tenho vontade de falar “Ai, que vontade de não trabalhar mais com esse mercado (música), não com a música em si, mas com algumas pessoas, os ranços, as vinganças, as pernas no meio do caminho, a vontade para que o outro se dê mal, a competição, o falar mal, o não abrir portas, a falsidade empresarial...”

“Tudo isso é muito insuportável e chega uma hora em que você fala “Que saco!”. Tem que passar por tudo isso para ter o imenso prazer de estar diante das pessoas e fazer uma hora e meia de som para elas.”

“Acho que, quando se tem 18 anos, a vida e o jeito de ver as coisas é outro. Mas eu sou bem feliz, acho a minha profissão maravilhosa e, por estar muito dentro e há muitos anos sem parar, de vez em quando me canso um pouquinho. Por isso, coloquei um tempo familiar e pessoal.

“Estou com 41 anos, com mais dez, estarei com 51 e quero ser um senhor forte, bem comigo mesmo. Quem sabe eu não serei um Abílio Diniz (grupo Pão de Açúcar)? Ele parece um highlander. Corpo e rosto não têm a ver um com o outro”.

REALIZAÇÃO
“Serei feliz se vir que o meu plano de vida tiver dado certo. Eu zerei, estou absolutamente equalizado, feliz pra caramba com minha vida pregressa. Eu parei e não tenho nenhuma vírgula para trás.”

“Agora, só preciso me preocupar com os próximos dez anos. Só preciso que, no fim deste tempo, olhe pra trás e diga: “Foi do caralho!”. Isso significará dizer que terei conseguido organizar minha vida artística e imprimir o que queria como direcionamento, caminho e estética”.

“Quero, daqui a dez anos, ter conservado o meu espírito, a minha vida, para estar viajando muito com a minha gata, namorando muito, jantando em lugares maravilhosos, podendo trazer vários presentinhos lindos para as minhas filhas e os meus amigos e poder contar com os meus amigos nos lugares mais incríveis do mundo. É isso que eu realmente penso.”

CARREIRA INTERNACIONAL
“Antes, não achava possível. Hoje, tudo mudou. Minha cabeça era uma, que girava antes da internet e do marketing viral. Antes, era raro o artista que conseguia ir para a Europa e ser um sucesso. Quantos do Brasil conseguiram isso, nos anos 80. Não rolava a globalização e teu som não saía. Nos anos 2000, o Cansei de Ser Sexy lança o primeiro álbum e consegue estourar, Sepultura, também. Sabe por que? Ficou desse tamanho (faz o gesto que significa pequeno).”

“Isso sem ter que fazer como Shakira e Rick Martin, que sacrificaram suas vidas nos países de origem, tiveram que aprender inglês, que morar nos Estados Unidos, fazer um montão de coisas para virar um grande fenômeno mundial. Hoje, não precisa de tudo isso. Basta ter uma música que comunique e uma ferramenta  que te leve.”

“Eu acredito que posso ter o meu som ouvido e querido em outros lugares do mundo. E gostaria disso. É um sonho sim, mas tenho outros anteriores, como a saúde e a realização do meu projeto artístico. Eu moro no Brasil, adoraria ser respeitado e querido no Brasil e estou trabalhando para isso.”